Eu pensei muito antes de tomar esta decisão, e posso afirmar que não foi simples. Hoje, aos 43 anos, voltar à faculdade é um grande desafio, e aqui vou compartilhar os bastidores dessa experiência com você .
Eu pensei muito antes de voltar para a faculdade de jornalismo. E escrevi “voltar ”de propósito, porque essa é minha terceira tentativa, e aos 43 anos não é fácil tomar essa decisão. São muitos os desafios: idade, compromissos profissionais, família, e a insegurança de acompanhar o ritmo dos colegas mais jovens que acabaram de sair do ensino médio. É uma lista grande e vou economizar seu tempo.
A influência do rádio: De Eli Corrêa ao Café com Bobagem
Nos anos 90, o rádio musical era a grande sensação. As emissoras FM (frequência modulada) dominavam o dial com suas programações musicais, cheias de informações sobre artistas, shows exclusivos e programas de humor. Enquanto isso, o rádio AM (amplitude modulada) mantinha sua importância para pessoas como as minhas avós, que ficavam ligadas ouvindo as histórias do Gil Gomes, Zé Bettio, Paulo Lopes, Eli Corrêa, Paulinho Boa Pessoa, entre outros.
Eu cresci nesse meio, ouvindo de Eli Corrêa na rádio Capital AM ao Café com Bobagem na extinta Transamérica FM. Naquela época, a gente se informava pela TV aberta, rádio, revistas e jornais; era tudo o que existia no Brasil. Foi exatamente nesse contexto que desenvolvi minha aptidão pela comunicação, pelo rádio e, futuramente, pelo jornalismo.
Do rádio ao podcast, do podcast à Faculdade de Jornalismo

Em novembro de 2015, quando completei 33 anos, decidi fazer o curso de radialista. Escolhi a Radioficina, uma escola muito conhecida em São Paulo, dirigida pelo grande Cyro César, que foi um locutor dos bons em toda a sua carreira. O meu relacionamento com a rádio começou mais cedo, mas isso eu conto em outro texto.
Me formei como radialista em agosto de 2016 e consegui meu primeiro emprego na área no mesmo ano — era a realização de um sonho de criança. Preciso dizer que não entrei como locutor, mas sim como operador de áudio. Eu operava as famosas “carrapetas” (apelido carinhoso para as mesas de som de broadcast).
Voltando um pouco, foi justamente no curso de radialista que eu conheci o que era um podcast. Um amigo me apresentou o formato através do seu iPod (eu só tinha um MP3 na época!). Entendi a proposta e logo me tornei ouvinte. Em 2017, criei meu primeiro projeto, chamado “Aperta o Rec”, que hoje não está mais no ar (infelizmente não guardei nenhuma gravação dos primeiros episódios).
Já em 2018, lembro que a Band tinha um jornal matutino onde, em um determinado bloco, a TV e o rádio entravam simultaneamente. O Ricardo Boechat (que dispensa apresentações), ancorado pela BandNews FM, entrava ao vivo no jornal da TV com o Luiz Megale. Era o rádio dentro da televisão! Aquilo foi sensacional, afinal, ainda não tínhamos a estrutura de hoje, com os estúdios de rádio transmitindo direto no YouTube.
Dado todo esse contexto, chegamos a 2021. Já com o rádio totalmente imerso no formato de vídeo, lembro que eu gostava de assistir à BandNews FM pelo YouTube só para observar os bastidores. Foi em uma dessas manhãs, assistindo àquela dinâmica, que tomei a decisão final: vou entrar na faculdade de jornalismo.
Encarando a faculdade de jornalismo: tempos atuais
Entre aquela manhã de 2021 e 2026, muita coisa aconteceu. Trabalhei em outras emissoras de rádio e, inclusive, em 2023 atuei na BandNews FM como operador de mídia audiovisual II – exatamente onde havia despertado a minha vontade de me tornar jornalista. Não tive a oportunidade de trabalhar com o Boechat, mas trabalhei no mesmo estúdio que eu assistia pela TV.
Naquela época, eu ainda não estava fazendo jornalismo. Já havia tentado a faculdade duas vezes no formato EAD, mas não dei continuidade. Me desliguei da Band em 2024 para começar a empreender como produtor e editor de podcasts — que é a minha atual ocupação profissional —, e o podcast foi o caminho que reacendeu, desta vez de forma definitiva, a vontade de fazer jornalismo.
Em março de 2026, aos 43 anos, voltei à faculdade de jornalismo para, desta vez, não retroceder. São muitos desafios: conciliar família, trabalho, faculdade e manter a sanidade mental não é uma tarefa fácil. Disciplina, força de vontade e compromisso são fatores essenciais para quem quer chegar ao seu lugar de desejo.
Vou confessar algo a você: eu ainda espero voltar à BandNews FM como jornalista. É uma meta a ser alcançada, ainda tenho amigos lá, e que legal será poder voltar dessa forma. Mas, por ora, sigo fazendo o que me compete: ler, escrever, conversar com colegas mais experientes de profissão, ouvir a minha família e me preparar para essa nova oportunidade.
E o Oficina do Jornalista é o espaço para compartilhar essa jornada e também colaborar com você que escolheu ser jornalista. Trarei conteúdo aqui no site, em podcast – que já está disponível nos agregadores – e no YouTube. Agora me conta, o que te levou ao jornalismo? Comente aqui ou no Instagram ( @oficinadojornalista ), vou adorar conhecer sua história!